Patrocínio Executivo para o PCN é fácil conseguir?

Patrocínio Executivo para o PCN é fácil conseguir?

Patrocínio Executivo para o PCN é fácil conseguir?Já participei de inúmeros congressos internacionais sobre Resiliência e Continuidade de Negócios e pelo menos um tema é recorrente nas grades de palestras “Como conseguir o patrocínio executivo para o PCN”, isto sem falar em webinars, toda hora tem um sobre isto.

Estes congressos visam, principalmente, os seus respectivos públicos locais onde “foreigners” muitas vezes são contados nos dedos das mãos.   Abordam, portanto, as respectivas realidades locais por exemplo: nos Estados Unidos, as temporadas de furacões, terremotos, grandes incêndios etc.; na Inglaterra, atentados terroristas, crimes cibernéticos e no Canadá os terríveis invernos, pelo menos para nós.

Tipicamente as argumentações utilizadas para tentar justificar e obter o patrocínio executivo para o PCN são citações de eventos recentes e suas consequências, normalmente apresentadas de forma impactante, por exemplo, a empresa X perdeu tantos milhões de dólares em vendas, a empresa Y perdeu nn% dos seus clientes, e outros muito primários, quase que infantis como, este é um item regulatório que se o seu executivo não cumprir ele pode ir para a cadeia e assim por diante.   Talvez pelo pouco tempo disponível, em geral as palestras duram 45 minutos, não se entra nos detalhes de como estes números foram obtidos.   Em algumas oportunidades no espaço de Q&A ou nos coffee breaks questionei objetivamente os palestrantes sobre a confiabilidade dos números apresentados e não me recordo de nenhuma resposta que tenha me deixado satisfeito.

As realidades são muito diferentes destes países para o Brasil, abençoado por Deus e bonito por natureza.   Não temos terremotos, tsunamis, furacões, vulcões, nevascas … eventos comuns nestes países.   O que temos por aqui são enchentes, evento natural que mais causa danos às sociedades no mundo todo, incêndios pontuais aqui e ali, o índice de flamabilidade das edificações brasileiras é muito inferior à americana por exemplo, e, outros tantos tipos de eventos decorrentes de falhas de operação e/ou manutenção.

Portanto, utilizar estas abordagens catastróficas para tentar obter o patrocínio executivo para o PCN tem tudo para não dar certo aqui no Brasil.

Temos legislações que remetem ao PCN: a Lei 13.425 – Código de Defesa do Consumidor, o Decreto 6.523 que regulamenta a lei 8.078 – Lei do SAC cuja multa pode chegar a quase R$ 10.000.000,00 (3 milhões de UFIRs, sim a UFIR ainda existe) dentre outras; nos mercados regulados: financeiro, segurador, farmacêutico (BACEN, SUSEP …) etc. há uma série de regulamentações que vão de multas, (de R$ 5.000,00 a R$ 500.000,00 por ocorrência), a cassação da licença de operação.   Na Previdência Complementar executivos podem responder com o seu próprio patrimônio por eventuais perdas.   Temos ainda as multas expressivas da Receita Federal, Secretarias da Fazenda e Prefeituras pelo recolhimento atrasado ou por cálculo incorreto dos tributos a serem pagos decorrentes, por exemplo, de eventuais perdas de dados ou indisponibilidade dos serviços de TI …

Enfim, motivos não faltam e tenham absoluta certeza que os nossos executivos estão bem cientes das suas responsabilidades.

Mas então, por que é tão difícil obter o patrocínio executivo para o PCN?

Sabemos que estamos vivendo tempos econômicos difíceis, onde as empresas, assim como nós cidadãos, temos que lutar para sobreviver.   Cortar despesas e otimizar processos são as prioridades, sem falar nos projetos “obrigatórios”.   A LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados – está consumindo boa parte dos recursos financeiros disponíveis para projetos e este é um projeto inadiável.   Uma grande empresa, líder no seu segmento, tinha para o ano de 2019 R$ 10.000,00 de orçamento para treinamentos.   Convenhamos este quantia é irrisória.

Num cenário como este é muito difícil justificar o PCN como prioridade, exceto que houver uma enorme demanda, ainda assim, possivelmente, será feito o mínimo absolutamente necessário.

No nosso post anterior “Continuidade de Negócios é investimento ou despesa” abordamos como quantificar os benefícios do PCN.   Agregaria nesta avaliação, ainda, o Apetite ao Risco.

Se o nosso orçamento é insuficiente para fechar o mês não temos opção exceto postergar investimentos (a Disney vai ficar para o ano que vem) e/ou cortar as despesas, o seguro do carro, por exemplo, e assumir o risco de que se tivermos um acidente poderemos estar em sérios problemas.

Não será com argumentos como os listados no início deste post que iremos obter o nosso desejado patrocínio executivo para o PCN.

 

Sidney R. Modenesi, MBCI, LDRM

Sócio-gerente da STROHL Brasil

 

 

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