O Apagão no Amapá e as Crises Latentes

O Apagão no Amapá e as Crises Latentes

O Apagão no Amapá e as Crises LatentesComo sabemos desde a terça-feira 03/11 o estado do Amapá está sofrendo um apagão decorrente de uma explosão seguida de incêndio no transformador #1 na subestação na capital Macapá.   Como de hábito há muitas especulações sobre as possíveis causas deste incêndio e consequentemente do apagão no Amapá.   A maior suspeita é sobre um suposto raio  – ato de Deus – que caiu durante uma tempestade e teria atingido o transformador #1.

Um Evento Isolado?

Mas será mesmo que um evento isolado – o raio – teria provocado todas estas consequências?

Enquanto possibilidade sim, é possível, afinal tudo é possível, mas seria provável?   Também sim, mas com uma probabilidade muito baixa.

Lendo mais atentamente as notícias constatamos que além de inutilizar o transformador #1 o transformador #2 também foi atingido e o transformador #3 estava em manutenção desde dezembro de 2019 (sic!).

Então, parece que o evento não foi tão isolado assim pois um evento anterior – a manutenção do transformador #3 – contribuiu significativamente para o agravamento das consequências do raio.

Mais Eventos Isolados

Seria só este outro evento – a manutenção – que contribuiu para o apagão no Amapá?

Vamos voltar mais um pouco no tempo.   A energia elétrica do Amapá era fornecida pela Venezuela.   Com o agravamento da crise no país vizinho o fornecimento da energia elétrica foi interrompido e passou a ser gerado por termoelétricas uma vez que o Amapá não está interligado ao sistema elétrico nacional aumentando ainda mais a dependência desta subestação.

Esta geração passou a ser feita por uma empresa privada – a Isolux – supervisionada pelas agências estaduais e federais de energia elétrica.   Esta supervisão estava sendo bem realizada?

Nosso objetivo neste post não é fazer uma análise forense do apagão no Amapá e sim relacionar este evento com o dia a dia das empresas com as suas crises latentes como esta, da energia elétrica no Amapá.

Crises Latentes e Crises Intempestivas

Já citamos em posts anteriores, neste por exemplo https://strohlbrasil.com.br/uma-certeza-na-vida-a-crise/, que as crises têm, basicamente, dois tipos: as crises intempestivas e as latentes.  Há ainda um terceiro tipo decorrente da combinação das duas, a crise latente-intempestiva que é quando um evento deflagra uma crise intempestiva decorrente de uma crise latente anterior como é o caso do apagão no Amapá.

Será que na sua organização não tem situações semelhantes como a do apagão do Amapá?

Crises Latentes nas Empresas

Por exemplo, os procedimentos de manutenção da infraestrutura predial ou do Data Center são feitos segundo as boas práticas de mercado?   A supervisão é bem feita?   Problemas conhecidos são rapidamente mitigados e tratados?

E na TI seria diferente?   Certamente não.   O modelo de gestão da TI segue as boas práticas de mercado, ITIL ou ISO 20000 por exemplo?   Na gestão de mudanças é feita uma análise de riscos abrangente dos riscos da mudança ou é só um mero formalismo?   Os procedimentos de “fall back” da mudança são analisados quanto a sua eficácia ou são simplesmente “volta o backup”?

Poderíamos continuar descrevendo situações e mais situações que identificamos ao longo dos nossos 20 anos de experiência no mercado brasileiro.   As empresas convivem com as crises latentes, bombas relógio esperando um evento intempestivo para explodir.   Faça uma análise, reflita, quantas são as crises latentes que existem na sua empresa.   Vale para a sua vida pessoal também.

Por que as Crises Latentes Sobrevivem?

As crises latentes só sobrevivem por omissão, negligência, procrastinação, complacência, desconhecimento ou falhas na gestão.

Crises latentes não desaparecem sozinhas pelo contrário tendem a aumentar com o passar do tempo gerando atritos interpessoais, ineficiência, improdutividade etc. e o pior, um pequeno evento intempestivo pode acionar o gatilho e detonar a crise intempestiva, como o apagão no Amapá.

Um exemplo recente que ocorreu em um cliente: manutenção na rede elétrica da concessionária, energia elétrica desligada, nobreak ativado, entra a alimentação pelo gerador e … KABUM o gerador parou porque um componente mecânico do gerador não foi trocado como estabelecido no procedimento de manutenção preditiva do fornecedor.   Consequências?   Serviços de tecnologia da informação indisponíveis por quase 12 horas.   Prejuízos?   Ainda sendo calculados mas superiores a R$ 1 milhão.   Danos à imagem?   Inestimáveis.   É a terceira grande indisponibilidade em menos de 1 ano.   Tudo isto devido a componente mecânico que custa menos de R$ 1.000,00 mas que vale mais de R$ 1 milhão – as perdas decorrentes.

A Dura Realidade

É muito frequente vermos organizações preocupadas com a gestão de crise na ocorrência de um desastre – PCN ou DRP – e simplesmente ignoram as crises latentes.

A dura realidade é que se você não estiver disposto e preparado para tratar as crises latentes do dia a dia você não estará preparado para tratar as crises intempestivas decorrentes de um desastre – PCN ou DRP.   Você será mais um “apagão do Amapá” nas estatísticas.

A pergunta então é como identificar as vulnerabilidades latentes?   Através da realização de uma Análise de Riscos e de Impacto nos Negócios holística, desde que haja a disposição de resolver os problemas identificados.

Quer saber mais sobre Gestão de Crises, Planos de Contingência ou Continuidade de Negócios, de Recuperação de Desastres (Disaster Recovery) ou realizar as Análises de Risco e de Impacto nos Negócios?

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