Massacre na escola de Suzano – Não foi o primeiro e não será o último

Massacre na escola de Suzano – Não foi o primeiro e não será o último

Infelizmente, ainda com a tragédia de Brumadinho na lembrança de alguns, fomos surpreendidos com mais uma tragédia, o massacre na escola de Suzano, São Paulo.   Não foi o primeiro como noticiado por algumas mídias e, infelizmente acredito, não será o último.

Os oportunistas de plantão ao invés de manifestarem as suas condolências às famílias das vítimas se apressaram a, rapidamente, apontar as causas do massacre.   É a facilidade na compra de armas disseram alguns, foi o bullying disseram outros, não foi nenhum dos dois, são os jogos violentos de vídeo game etc. e assim de achismo em achismo cada tribo vai se aproveitando do desastre para defender seus interesses e visões.

Não sou especialista em comportamento sociais, portanto não vou aqui emitir, publicamente as minhas opiniões, que as tenho é claro, de forma que não vou discutir causas, mas sim mitigações.

Vou abrir um parênteses aqui e retornarei ao assunto mais adiante.

Ontem à noite, ou seja, na noite do evento, fui buscar um dos meus filhos na escola.   O chefe da segurança estava no portão com alguns outros pais e mães e estavam comentando sobre o evento.   Me juntei ao grupo e em determinado momento perguntei a ele qual era o plano/procedimento da escola para uma situação como aquela ou outras situações de emergência.   (Você conhece o procedimento de emergência da escola onde seu filho(a) estuda ou onde você mora?)

A resposta dele foi “Em situações como esta quando o agressor está disposto a perder a vida não há o que fazer”.   Esta frase, salvo engano, foi do assessor de segurança do ex-presidente Bush Filho após os atentados de 11/09 e, como podemos ver pela história, pré 11/09 realmente nada foi feito, mas após 11/09 muita coisa foi feita.

Da mesma forma com relação aos ataques a escolas nos USA.   Hoje o ilustre jornalista Alexandre Garcia postou no seu Twitter “Portão fechado e vigia armado não evitaram mortes nos USA. Desarmamento não evita revólver de número raspado. Gasolina de molotov que incendeia, machado que abre cabeça, besta que mata em silêncio, são comprados na esquina. É preciso saber a origem da violência que arma cérebros.”

Pessoas desequilibradas, viciadas, comprometidas com seitas ou facções sempre existiram e continuarão existindo o que torna, realmente, muito difícil evitar que situações como esta aconteçam.   Mas, o que podemos fazer utilizando o conhecido modelo PDCA de melhoria contínua é aperfeiçoarmos os nossos controles de forma a mitigar os efeitos.   Menos uma criança morta é um grande avanço nos controles, se não pudermos evitar que a tragédia ocorra!

Fecho aqui o parênteses.

Vivemos tempos de intolerância, de acirramento das tensões sociais, de corrupção desenfreada onde enriquecimento ilícito justifica os meios … uma série de situações que colocam a nossa sociedade à beira do colapso, portanto cada vez mais exposta a situações extremadas como esta.

Somos e vivemos numa sociedade pouco resiliente, despreparada para enfrentar as duras realidades da vida, não é nossa prioridade pensar que desastres e/ou tragédias acontecerão e que precisamos estar preparados para estas situações, gostemos ou não, muito diferente de outras sociedades que tem que enfrentar invernos rigorosos todos os anos, furacões, terremotos, vulcões, passaram por várias guerras …

E enquanto aguardamos o próximo final de semana, o próximo feriado para podermos viajar, o próximo jogo do Brasil, o próximo Carnaval, continuaremos a enterrar os nossos mortos, sejam de Brumadinho, do massacre na escola de Suzano e dos próximos, que poderiam estar conosco se nossas prioridades fossem outras.

Sidney R. Modenesi, MBCI, LDRM

entusiasta em sociedades resilientes

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