Hospital Badim – Mais do mesmo

Hospital Badim – Mais do mesmo

Hospital Badim – Mais do mesmoNo dia 12/09, enquanto estávamos atualizando uma palestra sobre RESILIÊNCIA (assista um vídeo anterior aqui) para ser apresentada na Semana de Compliance de um cliente nosso, recebemos a notícia do incêndio no Hospital Badim, na zona norte do Rio de Janeiro com, até a data da postagem inicial deste post, 14 fatalidades, a maioria da terceira idade e que se encontravam na UTI.

Como de costume grande destaque nas mídias, principalmente televisivas, com imagens “exclusivas” e as sempre presentes entrevistas com especialistas descrevendo detalhadamente os porquês, as falhas e os responsáveis sem sequer terem iniciadas as investigações.

Porém há um fato e que sempre deve ser considerado, vivemos num país da quase impunidade, com intrincadas teias de arranjos e jeitinhos até que, um dia, infelizmente, o risco se materializa, ocorre o desastre e serão muitos meses, vários anos tentando se responsabilizar alguém.   Enquanto isso as famílias choram os seus mortos.

Responder adequadamente a um incêndio em um hospital é extremamente complexo, muito diferente de um edifício comercial onde basta soar o alarme e as pessoas saem pelas rotas de fuga com o auxílio dos brigadistas e bombeiros civis.

Cirurgias poderiam estar ocorrendo no Hospital Badim, como em qualquer outro hospital, não é possível simplesmente sair do prédio.   Pacientes nas UTIs estão conectados a aparelhos, alguns dependendo dos aparelhos para continuarem vivos, não podem ser desligados e removê-los facilmente.   Os pacientes, e os visitantes – não podemos esquecer dos visitantes, serão removidos como, pelo elevador?   Um dos primeiros procedimentos de segurança é descer os elevadores até o térreo, ou subsolo (depende do prédio) e desligá-los.   E os pacientes em macas serão removidos como?   São poucos os edifícios, pelo menos que temos conhecimento, que tem elevadores em áreas pressurizadas livres de fumaça e operando no gerador.

Uma emissora de TV fez um grande alarido que demorou 8 minutos até começarem os procedimentos de evacuação.   O procedimento padrão é, após o acionamento de um alarme de calor ou fumaça, confirmar se é um alarme verdadeiro (normalmente 2 laços), pelo menos um bombeiro civil se desloca até o local para confirmar a ocorrência e, só depois disso é que o alarme geral é acionado para o início da evacuação do prédio, levando em consideração que este prédio é um hospital com cirurgias e UTIs como já mencionado acima.

Em teoria é assim que as coisas deveriam funcionar.   E na prática como é?   Em um prédio renomado no centro do Rio de Janeiro os hidrantes nos andares ficavam trancados com cadeados porque os bicos e as chaves das mangueiras eram sistematicamente roubados.   Num outro prédio, também no Rio de Janeiro, numa inspeção visual nas entranhas das infraestruturas comuns tivemos que aguardar perto de meia hora porque o bombeiro civil de plantão tinha dado uma “saidinha” mas voltaria já, já.

O código de segurança contra incêndio do estado do Rio de Janeiro era de 1976 e foi alterado recentemente.   Por que diferentes estados têm diferentes códigos de segurança?   Por acaso os riscos são diferentes de um estado para outro?   Por que não temos uma legislação federal só?

Poderíamos continuar fazendo inúmeros questionamentos mas até que tudo isto melhore significativamente somos todos coniventes e corresponsáveis.