Fica tudo como está ou quase

Fica tudo como está, ou quaseEste post Fica tudo como está ou quase” é o primeiro de uma pequena série, após o post “Bolsa a 100.000 pontos.  E o PCN com isso?” que gerou uma série de mensagens sobre a aplicabilidade dos conceitos apresentados para a vida das pessoas físicas, uma vez que a quase totalidade dos nossos posts são para as pessoas jurídicas, embora os conceitos de Resiliência se apliquem tanto para as pessoas jurídicas como físicas.

A intenção deste post é contribuir com a resiliência das pessoas para enfrentar as mudanças que virão.   Se você achar o conteúdo deste post de alguma forma útil, compartilhe-o com a sua rede de contatos e siga-nos nas redes sociais.

Cada post focará um cenário econômico distinto.

O cenário neste post é Fica tudo como está ou quase

O indicador de novos empregos do mês de fevereiro/19 é o maior dos últimos tempos, sugerindo uma tímida recuperação econômica.   Precisamos muito mais do que isto para voltarmos ao mercado de pleno emprego.   Numa conta rápida, assumindo que pleno emprego seja 3% de desempregados, como estamos hoje com 13% nominais, será necessário reduzir em 10% a quantidade de desempregados, ou aproximadamente 10 milhões de pessoas.   Sem considerar pessoas entrando e saindo do mercado de trabalho, se formos capazes de gerar 2 milhões de novos empregos consistentemente, ainda assim serão necessários 5 anos para zerarmos a conta.   O passivo é muito grande!

Um forte alavancador do crescimento será a Reforma da Previdência.   Caso o governo federal não consiga aprovar a reforma ou então a aprova de forma tão desidratada, como estão se referindo ultimamente às manutenções de privilégios, o governo federal perderá a credibilidade, agonizará, entrará em estado letárgico e a economia como um todo não deslanchará como precisamos e gostaríamos.

Vamos analisar alguns sub-cenários para “Fica tudo como está ou quase”:

Pior Caso: a credibilidade do governo cai tanto que a economia volta a encolher ao invés de crescer.   Como a Reforma da Previdência não foi aprovada como planejando inicialmente: o governo continuará sem dinheiro no orçamento para investimentos; a despesa continuará aumentando; o governo terá que tomar dinheiro no mercado para cobrir o déficit; a taxa de juros subirá; o dólar subirá; a bolsa cairá; a inflação aumentará; as empresas continuarão investindo pouco ou não investirão, cortarão mais despesas; e o desemprego, hoje na faixa dos 12 – 13 milhões segundo o IBGE, voltará a aumentar dentre outras tantas situações bastante previsíveis, pois não é a primeira vez que passamos por isto.

Provável: o governo consegue aprovar alguma reforma e os impactos não serão tão intensos como descrito acima.

Otimista: apesar da reclamada falta de articulação, seja lá o que isto significa, o governo consegue emplacar algumas reformas no Congresso, os impactos são ainda menos intensos que o cenário anterior, mas o crescimento da economia continuará baixo, insuficiente para animar e aquecer os investidores.   A crise econômica e o desemprego persistirão.

Resumindo, no cenário de “Fica tudo como está ou quase” os efeitos negativos na economia também ficarão mais ou menos como estão, um pouco mais ou menos intensos, isto é: desemprego alto; dificuldade de recolocação; mercados desaquecidos; negócios fechando etc. tudo que estamos vivenciando nos últimos 4 – 5 anos.

E você – pessoa física – como fica neste cenário “Fica tudo como está ou quase”?

Mais uma vez, 3 situações para contextualizar melhor.   Você está …

Empregado: uma das ameaças potenciais neste cenário é a redução das despesas administrativas corporativas que poderão incluir mais corte de pessoal.  Alguns itens de risco ou pontos de atenção, se preferir:

  • Como tem sido o seu desempenho nas últimas avaliações? Você é um profissional que faz a diferença ou só faz o essencial?   Se você é um profissional que não faz a diferença seria bom você começar a pensar num Plano B.
  • Como está a sua remuneração versus o que está sendo praticado no mercado? Você está caro, na média ou barato?   Você tem pesquisado isto ou só fica achando que a sua remuneração está abaixo do que você se acha merecedor?   Recentemente recebi uma solicitação de indicação para um profissional de Continuidade de Negócios Senior numa grande empresa brasileira.   Os requisitos desta vaga incluíam certificações, inglês fluente, uma série de habilidades etc. enquanto a remuneração era muito próxima a de um Pleno há 5 – 6 anos atrás.   Esta é a dura realidade do mercado quando há excesso de oferta (desempregados) e pouca demanda (vagas em aberto).   Você precisa pensar num Plano B.
  • Qual a sua idade e cargo? Esta entidade misteriosa chamada mercado é cruel.   A partir de uma determinada relação, não matemática, idade x cargo as suas oportunidades de recolocação diminuem significativamente.   E se sua remuneração estiver além das praticadas pelo mercado, você está com um sério problema de recolocação nas mãos, pelo menos no mesmo padrão anterior.   Você precisa ter um Plano B.

Desempregado: Neste cenário as possibilidades de recolocação não são animadoras.   Com um possível aumento na taxa de desemprego a relação candidatos x vaga tende a aumentar, portanto, você precisa, se ainda não desenvolveu, desenvolver novas habilidades ou diferenciais para poder ser um candidato atraente e competitivo.   Uma equação difícil para quem já está com recursos financeiros escassos e precisando investir em novas habilidades.   Você já deveria ter um Plano B.

Empresário: Como alguns economistas já disseram, se você sobreviveu até hoje você já é um herói.   Mas, uma prateleira cheia de troféus e medalhas não pagam as contas.   Você precisará continuar a ser herói para continuar sobrevivendo,  investir, aumentar a eficiência do seu negócio, redesenhar processos, buscar novos produtos, serviços e mercados etc. enquanto vende o almoço para comprar a janta.   Seus clientes estão no mesmo barco que você, com os mesmos desafios, gastando somente o absolutamente essencial, estamos todos tentando subir uma escada rolante que está descendo.   Será preciso muita energia para desenvolver a resiliência do seu negócio.   Você precisa desenvolver o Plano B do seu negócio para evitar a falência.

Você ainda não é um empresário, mas um candidato a ser um?   Este é o seu Plano B?   Vejo este projeto como inevitável para a grande maioria dos trabalhadores brasileiros.   Este será o assunto para o último post desta série.

Neste meio tempo permita-me uma sugestão de leitura?   O livro Empregabilidade de José Augusto Minarelli, a quem eu tive a oportunidade de conhecer pessoalmente quando fui demitido, disponível em http://www.lensminarelli.com.br/media_center/empregabilidade/

Até o próximo post “Pior do que está, sempre pode ficar”.

Sidney R. Modenesi, MBCI, LDRM

Entusiasta em Resiliência

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