Explosão no Líbano e Resiliência

Explosão no Líbano e a Resiliência das Sociedades

Histórico

Explosão no Líbano e a Resiliência das SociedadesTerça-feira – 04/08/20: duas explosões (vamos nos referir como uma só), sendo a segunda de maior intensidade equivalente a um terremoto de intensidade 3,5 na escala Richter, atingiu a zona portuária da cidade de Beirute no Líbano causando mais de 130 fatalidades, pelo menos 6.000 feridos e dezenas de desaparecidos.   As estimativas dos prejuízos até o momento são de US$ 3bi a US$ 5bi.   As suspeitas são de que 2.750 toneladas de nitrato de amônio armazenadas de forma inadequada tenham explodido.   As causas que levaram a esta explosão no Líbano até a data da publicação deste post ainda não haviam sido determinadas.

Esta quantidade de nitrato de amônio estava armazenada no porto há mais de 6 anos e as autoridades portuárias já haviam reportado várias vezes às autoridades nacionais os riscos desta estocagem neste local estratégico e próximo ao centro econômico do país.

Esta História Parece Familiar?

Baseado nos elementos disponíveis no noticiário é possível identificar as principais componentes – velhas conhecidas – que levaram a explosão no Líbano.

  • Uma solução temporária vira definitiva (quebra galho): seis anos atrás houve a necessidade da retirada do nitrato de amônio do navio cargueiro MV Rhosus que foi obrigado a atracar no porto de Beirute por problemas técnicos. Após o conserto do navio e o pagamento das taxas portuárias o navio seguiria viagem para o porto de destino em Moçambique o que acabou não acontecendo, o navio afundou e sua carga perigosa continuou armazenada inadequadamente de forma provisória.
  • Subestimar os riscos: apesar dos avisos das autoridades portuárias as autoridades do país não trataram com a devida importância este risco potencialmente catastrófico assumindo-o implicitamente.
  • Fatalidade ou negligência? Neste caso ficou claro que foi negligência fazendo que o governo do Líbano caísse dias após a explosão em Beirute.   Mas, infelizmente, não é o que acontece na grande maioria das vezes.   Haverá tentativas, de todas as formas, pelo poder instituído de qualificar o evento como uma fatalidade, um acidente, um caso fortuito ou até mesmo força maior quando na verdade a causa raiz do desastre foi subestimar e/ou negligenciar o(s) risco(s).

Nossa História Recente

Somente relacionado com o nitrato de amônio substância química chave na explosão no Líbano tivemos no Brasil dois acidentes recentes: um na cidade de São Francisco do Sul em Santa Catarina, em 2013 com 10 toneladas e o outro na cidade de Cubatão em São Paulo em 2017.   Veja mais sobre estes acidentes neste vídeo da TV Record https://www.youtube.com/watch?v=RfZ89WZAh-Q

E por outras causas nossa história está repleta de “acidentes”: Cataguases, Mariana, Brumadinho; Vila Socó, Edifícios Andraus e Joelma, boate Kiss; voos 402 e 3054 da TAM e 1907 da Gol; desabamento durante as obras de construção da estação Pinheiros do Metro de São Paulo; desabamentos e/ou inundações na região do vale do Rio Itajaí em Santa Catarina, Petrópolis e Teresópolis no Rio de Janeiro … são inúmeros exemplos.   Fatalidades ou negligências?

Menos é Menos

De uns tempos para cá, com o declínio da atividade econômica e mais recentemente devido às consequências da pandemia da covid-19 tem sido cada vez mais frequente nas empresas a frase “Menos é Mais”.

Se esta frase está sendo utilizada no sentido de reduzir desperdícios, racionalizar processos ou de uma forma abrangente produzir mais com a mesma capacidade instalada esta frase faz sentido.

Caso contrário, menos é menos em qualquer sistema de medida.   Se você tem 10 equipamentos que produzem 1.000 peças/hora, 9 equipamentos não produzirão por muito tempo 10.000 peças/hora.   A mesma analogia pode ser utilizada para qualquer outra atividade.   Você até conseguirá manter o nível de produção com menos recursos mas não por muito tempo, a infraestrutura, seja qual for, entrará em colapso, fadiga, burnout.

A consequência implícita da frase “Menos é Mais” é que mais riscos estão sendo assumidos como no caso da explosão no Líbano.   Nós da STROHL Brasil observamos claramente este comportamento nos projetos de Continuidade de Negócios em execução onde muitos riscos, que podem vir a ser bastante danosos caso se materializem, estão sendo ignorados.

Ainda, está havendo uma certa tendência a considerar que porque um determinado evento esta ocorrendo – pandemia da covid-19 – novos eventos não irão ocorrer, como se fossem mutuamente exclusivos.   Leia mais em Pior do que está não fica. Será mesmo?Pior do que está sempre pode ficar.

A Resiliência das Sociedades

Uma sociedade, seja qual for o escopo que estivermos falando: família, bairro, cidade, empresa etc. é composta de indivíduos e infraestruturas.   E todas as componentes da sociedade em questão estão sujeitas a riscos, alguns controláveis outros não.   Por exemplo não é possível controlar quando e quanto vai chover (eliminar o risco) mas é possível controlar as consequências de toda esta chuva caindo numa mesma região num determinado intervalo de tempo (mitigar as consequências) desde que esta sociedade, incluindo seus líderes, esteja comprometida com este objetivo.

Usando novamente o nitrato de amônio como a causa da explosão no Líbano a “A OAB Santos oficiou autoridades sobre a segurança do transporte e armazenamento do nitrato de amônio cuja quantidade que chega ao porto santista, a cada navio, é dez vezes maior que a de Beirute”.   Assumindo que esta manifestação da OAB Santos objetive a segurança desta sociedade, e não seja uma manifestação com objetivos políticos, este é um dos caminhos para o desenvolvimento e consequentemente o aumento da resiliência, conhecer e mitigar os riscos aos quais esta sociedade está exposta.

Se você leu até aqui antes de encerrarmos vamos deixar uma pergunta para a sua reflexão e avaliação da sua resiliência básica: quando tem um treinamento obrigatório da brigada de incêndio no condomínio onde você mora, você participa comprometidamente do treinamento porque entende que estar preparado poderá salvar a sua vida, da sua família e de seus vizinhos, participa por obrigação ou não participa?

Se você prefere acreditar que desgraças só acontecem com os “outros” nunca se esqueça que um dia você fará parte dos “outros” e que despreparo não é castigo divino.

#explosaolibano     #explosaobeirute     #resilience     #resiliencia     #businesscontinuity     #continuidadedenegocios     #disasterrecovery     #covid-19

Quer saber mais sobre Planos de Contingência ou Continuidade de Negócios, de Recuperação de Desastres (Disaster Recovery) ou Resiliência Operacional que incluem incidentes de segurança da informação, ransomware etc.?   Por favor preencha o formulário abaixo e entraremos em contato.

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