A Continuidade da Continuidade dos Negócios

A Continuidade da Continuidade dos NegóciosA Continuidade da Continuidade dos Negócios

O CIAB FEBRABAN é uma excelente oportunidade para conhecer as novas tecnologias e tendências para o mercado financeiro e demais mercados.   É, também, uma excelente oportunidade de reencontrar antigos amigos, contatos, colegas … afastados pela correria do dia a dia, bater papos descontraídos e colocar a conversa em dia nos inúmeros “happy hours” que acontecem em vários stands no final do dia (se for ao CIAB FEBRABAN e participar dos “happy hours” vá de taxi #ficaadica).

E, num desses bate papos num stand de um Data Center com alguns dinossauros (não é senhores?) sobreviventes do DR – Disaster Recovery, todos com um copo de bebida na mão, um desses amigos – da onça é verdade – me faz uma pergunta provocativa: “você que tem escrito tanto sobre resiliência, qual é a continuidade da continuidade dos negócios?”

A conversa muda de tom e saímos da descontração para o papo “cabeça” agora em outro stand de uma empresa de telecom.

Não é mais possível dissociar a Continuidade dos Negócios da tecnologia da informação nem deste mundo de incertezas que estamos vivendo.   Hoje, mais do que ontem e menos do que amanhã, a tecnologia vem modificando a forma como os negócios são realizados.   Negócios que sequer eram imaginados há alguns anos hoje só são viáveis por esses avanços que por sua vez demandam mais e mais recursos de tecnologia numa espiral vertiginosa.

Simplificando a resposta, temos duas situações de continuidade de negócios: os locais de trabalho e os serviços de TI.

Locais de trabalho: a tecnologia de hoje já permite o trabalho remoto com facilidade.   A STROHL Brasil opera, há alguns anos, descentralizada.   Mensagens eletrônicas, vídeo conferência e chats fazem parte do nosso dia a dia e projetos já são conduzidos desta forma com alguns dos nossos clientes.   Ao sairmos de uma estrutura de hubs centrais para o modelo descentralizado como este, aumentamos a resiliência da operação e, consequentemente, minimizamos significativamente a necessidade da continuidade dos negócios, locais alternativos de trabalho etc.   Entretanto, embora tecnicamente viável, esta ainda não é a realidade da maioria das empresas não só no Brasil como no mundo.

Serviços de TI: a tendência hoje é a migração dos aplicativos e dados para a “nuvem”, que nada mais é do que o Data Center de um terceiro, em suas várias modalidades de prestação de serviços e a utilização do “edge computing” ou via Apps ou embarcada nos IoTs, onde um dispositivo coleta e processa algumas informações, envia para um Data Center central que processa, consolida e devolve a informação ao dispositivo de entrada para o processamento e interação com o usuário ou “coisa/Thing” final.

Por estarmos contratando um serviço, nossa sopa de letrinhas MTPD, MBCO, RTO e RPO (veja o vídeo explicativo destas siglas) devem constar nas cláusulas contratuais ficando, no geral, sob a responsabilidade do prestador de serviços.   Mas estas condições atendem os requisitos da nossa operação?   Isto deveria ter sido discutido em tempo de contratação.   Recentemente parte dos serviços da Salesforce ficaram indisponíveis no mundo por vários dias e, até onde temos conhecimento, nenhuma empresa quebrou por isso, embora tenhamos quase certeza que nenhum gestor de negócios respondeu nas BIAs – Análise de Impacto nos Negócios que participou que a Salesforce poderia ficar indisponível tanto tempo.

Sintetizando: enquanto o modelo legado de operação ainda predominar não deve haver mudanças significativas na Gestão da Continuidade dos Negócios como a conhecemos hoje.   Ao longo do tempo, à medida que os negócios forem projetados para operar de forma resiliente aí sim a Continuidade dos Negócios deixará de fazer sentido.   Sem esquecer de 2 coisas:

  • O COBOL – linguagem de programação – está morrendo tem uns 30 anos pelo menos e ainda está por aí em muitas operações vitais, principalmente nos mainframes do mercado financeiro e que
  • O mercado aceita correr riscos o que o mercado não aceita é perder dinheiro.

Até lá, já estarei aposentado faz tempo!

Sidney R. Modenesi, MBCI, LDRM

Entusiasta em resiliência

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